A atração por pessoas do mesmo sexo faz parte da diversidade da experiência humana. Ela não começou em uma década recente e não é classificada como doença. A ciência investiga seu desenvolvimento, assim como investiga outros padrões de atração. 22, 33, 41

Uma origem complexa

Revisões discutem contribuições genéticas, processos pré-natais e outros aspectos do desenvolvimento. O conhecimento disponível não aponta uma causa única capaz de explicar todas as pessoas. 23

Não há sustentação para reduzir orientação sexual a uma decisão voluntária ou a uma relação específica com familiares e amigos. Na pesquisa do desenvolvimento, fatores ambientais não significam automaticamente criação dos pais: podem incluir processos e experiências não compartilhados.

Não existe um teste do gene gay

Em 2019, um estudo com 477.522 participantes encontrou muitos componentes genéticos de pequenos efeitos associados a comportamento sexual com pessoas do mesmo sexo. 24

O resultado não identificou um único gene determinante e não permite prever a orientação de um indivíduo. A medida principal era comportamento relatado, e as amostras eram predominantemente de ancestralidade europeia.

Esses detalhes importam. Uma associação genética em uma população não vira uma explicação completa do desejo de uma pessoa.

Hipóteses sobre o desenvolvimento hormonal

Pesquisas com pessoas que apresentam hiperplasia adrenal congênita oferecem uma oportunidade para investigar hipóteses sobre exposição hormonal no desenvolvimento. Uma revisão encontrou diferenças de orientação em parte das amostras. 25

As condições clínicas, os tratamentos e os métodos também entram na interpretação. O resultado não estabelece um destino individual e não transforma homossexualidade em deficiência hormonal.

O debate evolutivo permanece aberto

Há hipóteses adaptativas e hipóteses que tratam determinados padrões como consequências indiretas de outros processos. Uma revisão brasileira publicada em Psicologia USP organiza parte desse debate. 30

Comportamentos entre indivíduos do mesmo sexo também são observados em outros mamíferos. Estudos comparativos investigam relações com organização social e outros fatores. Comportamento animal não equivale às identidades humanas nem resolve sozinho a origem da orientação. 31

Por que a visibilidade parece maior hoje?

Precisamos distinguir registros antigos, disponibilidade de palavras e possibilidade de declarar uma identidade publicamente. O aumento de declarações em pesquisas pode refletir vários processos; não marca o nascimento da atração.

Números de pesquisas distintas tampouco são diretamente intercambiáveis. O IBGE e o Gallup usam categorias e populações diferentes. 43, 44

A linguagem que adotamos

Este blog utiliza homossexualidade. Termos antigos podem aparecer em fontes históricas, identificados como linguagem de sua época. O entendimento profissional brasileiro não classifica homossexualidade como doença, distúrbio ou perversão. 41

Explicar a diversidade não exige uma causa única para legitimá-la. Exige tratar os dados com precisão, reconhecer o que permanece em aberto e respeitar a experiência das pessoas pesquisadas.